Triângulo do Drama – Parte II

No post anterior, falamos um pouco sobre o triângulo do drama e agora que você já tem consciência das três vertentes, vamos falar um pouco mais sobre cada uma. Para quem não leu, leia aqui.

Para a vítima
A vítima não é indefesa. Todos podem sim encontrar soluções independentes para seus desafios. A vida é muito justa e não nos entrega um “fardo“ maior do que possamos carregar (coloco fardo entre parênteses aqui, pois fardo como é colocado neste contexto parece-me um peso injusto e não é a proposta. Todo desafio é um aprendizado que devemos passar, mas mais a frente conversaremos sobre isso). Cada um nasce com os recursos necessários para superar seus próprios desafios, apenas desconhecemos ou não nos encorajamos a acessá-los. Encontrar alguém que esteja disposto a te ajudar é excelente! Vivemos em sociedade e é importante alimentar nosso lado colaborativo, porém, isso não lhe dá o direito de sobrecarregar ninguém transferindo a sua responsabilidade. Nós colhemos o que plantamos e cada desafio que recebemos da vida há um para quê, geralmente um aprendizado que devemos passar. Então, assuma a responsabilidade da sua vida. Ter a ajuda de alguém para compartilhar um desafio não significa usá-lo como muleta.

Para o salvador
Seja qual for a intenção consciente do salvador: ajudar a pessoa porque realmente acha que ela não consegue sozinha ou ajudar para suprir uma necessidade interna, a intenção sempre é positiva. Porém, é interessante conseguir distinguir isso. No primeiro caso, entenda que quando fazemos mais do que devemos por alguém, simplesmente tiramos dela o direito de aprender e evoluir. Gosto de dar o exemplo da mãe que ainda alimenta seu filho de 3 anos na boca, simplesmente porque não quer vê-lo tentando pegar o garfo e tendo dificuldade, derrubando toda a comida. Derrubar a comida faz parte do desenvolvimento da coordenação motora da criança e a mãe, por mais que tenha boa intenção na sua atitude, está limitando o desenvolvimento do seu filho. No segundo caso, quando o salvador ajuda para suprir uma necessidade interna dele, o importante é ser sincero consigo mesmo para que possa reconhecer isso para si, não para os outros. Tendo essa consciência, enxergará formas muito mais gratificantes de suprir essa necessidade, não precisando limitar o desenvolvimento de ninguém, nem gerando dependentes.

Para o perseguidor
Este é o papel mais indesejado dos três e se você se identificou com ele… Parabéns! Não é fácil assumir nossas fraquezas, mas este é o primeiro passo para a mudança quando você quer evoluir. Desde os primórdios, o ser humano aprendeu que não pode demonstrar fraqueza e até hoje nossa sociedade insiste em pregar algumas crenças relacionadas a isso. Sentir que precisa de reconhecimento, para muitos, ainda é sinônimo de fraqueza, tudo por conta dessas tais crenças limitantes que alimentamos. Porém, vou te contar um segredo: a necessidade de reconhecimento, assim como de segurança, é intrínseco ao ser humano, você não é um E.T. e não está sozinho. Então, você não teve o reconhecimento que esperava e a outra pessoa te decepcionou ou você é responsável pelas expectativas que criou sozinho?

Vale ressaltar aqui que a vítima só existirá enquanto houver um salvador ou um perseguidor e em contrapartida, o salvador e o perseguidor só existirão enquanto houver uma vítima e todos nós podemos adotar cada um desses papéis em diferentes fases e áreas das nossas vidas.

Reflita sobre suas escolhas e não transfira a responsabilidade aos outros. Foque na sua felicidade, assuma as rédeas da sua vida. Viva uma vida consciente e saia do triângulo!